Pra quem não reconhece Vik Muniz, só pelo mencionar do seu nome, e também não é lá muito ligado em artes plásticas, já vou logo de entrada situando o galerê:
Vik Muniz, artista plástico = abertura da novela global Passione
Não se iluda achando que arte do cara se limita a tão somente uma montagem de abertura de novela. Vik Muniz é reconhecidamente conhecido pela ousadia e liberdade de reproduzir imagens se utilizando de elementos nada comuns, tais como: açúcar, doce de leite, geleia, fumaça de avião etc. Falando assim, o trabalho desse artista pode parecer um tanto quanto excêntrico ou até mesmo simplório. Impressão essa que logo se dispersa assim que se tem um contato mais próximo com as obras do mesmo.
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| Monalisas de geleia e pasta de amendoim |
Neste ultimo sábado, durante meus afazeres domésticos (sim, eu limpo a casa!) tive o prazer de ouvir uma entrevista dada pelo artista para o programa Revista CBN, da rádio CBN.
(A entrevista na íntegra você pode ouvir aqui. )
Na qual ele fala detalhadamente sobre a concepção e realização do documentário Lixo Extraordinário, que leva como tema o trabalho do artista junto a um grupo de catadores de lixo do Jardim Gramacho, comunidade de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, e que esse ano recebeu indicação ao Oscar na categoria de melhor documentário.
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| www.lixoextraordinario.net |
Deixando de lado, a questão das artes plásticas em si, e focando mais especificamente na produção audiovisual, vale lembrar aqui, de alguns conceitos importantes enfatizados pelo especialista em documentários Bill Nichols no famigerado livro Introdução ao Documentário. (famigerado, porque nenhum aluno do curso de RTV da Anhembi Morumbi que tenha tido aula com o nosso querido professor Noel, escapou do Bill Nichols)
A importância e o papel do Ator Social:
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| Bill Nichols - Introdução ao Documentário |
A questão ética implícita no fator documentário:
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| Bill Nichols - Introdução ao Documentário |
Em resumo as questões principais e mais difíceis de lidar, quando o assunto é documentário são:
O que fazer com o ator social? Como equilibrar de forma ética os interesses pessoais de quem filma com as necessidades de quem se expõe?
Como documentar um fato, expor pessoas, de maneira tal que não prejudique a continuidade da vida daquele que se dispôs a tomar o papel de ator social, sendo que na maioria das vezes, esse indivíduo não tem consciência do impacto que tal exposição pode ter na própria vida.
Como o cineasta deve se portar quando entra em contato com assuntos que podem prejudicar a vida do ator social, mas que agregariam material de interesse coletivo para o seu filme?
É de comum acordo entre os estudiosos e defensores do formato documentário, que essa linha de raciocínio ética seja adotada antes da realização do filme e para que haja sim uma denúncia de um fato, mas acima de tudo esse fato não se torne um simples entretenimento numa tela de cinema ou televisão. Todo documentário que visar denunciar também deve, automaticamente conscientizar o expectador e funcionar como elemento transformador não só da vida, mas de tudo que constituí o entorno daquilo que foi exposto.
Lixo Extraordinário, é exemplo perfeito disso. De centenas de pessoas, somente sete aceitaram participar do projeto, e nenhuma das sete precisou voltar para o lixão. Premiar um documentário, não é premiar somente um filme, mas sim a atitude positiva de outrem com relação ao seu próximo e ao mundo em que vive.
Com certeza, Lixo Extraordinário é um trabalho bem feito e digno de um Oscar.





tocante! vai concorrer ao oscar na categoria documentários, esse ano. eu assisti uma matéria no programa da angélica sobre o trabalho dele. a arte integra, traz a tona uma nova leitura, um exemplo do que o humano pode gerar a partir do caos. bom saber q a maioria dos catadores q participaram do filme não voltaram mais pro lixão.
ResponderExcluirari mto bom mesmo teu segundo post =).
quero mais!!!!
to montado um outro blog tbm.
depois te passo o link.
beijos