sábado, 29 de janeiro de 2011

Documentário Brasileiro sobre o lixo vai ao Oscar


Pra quem não reconhece Vik Muniz, só pelo mencionar do seu nome, e  também não é lá muito ligado em artes plásticas, já vou logo de entrada situando o galerê:


 
Vik Muniz, artista plástico = abertura da novela global Passione


Não se iluda achando que arte do cara se limita a tão somente uma montagem de abertura de novela. Vik Muniz é reconhecidamente conhecido pela ousadia e liberdade de reproduzir imagens se utilizando de elementos nada comuns, tais como: açúcar, doce de leite, geleia, fumaça de avião etc. Falando assim, o trabalho desse artista pode parecer um tanto quanto excêntrico ou até mesmo simplório. Impressão essa que logo se dispersa assim que se tem um contato mais próximo com as obras do mesmo. 

Monalisas de geleia e pasta de amendoim
 

Neste ultimo sábado, durante meus afazeres domésticos (sim, eu limpo a casa!) tive o prazer de ouvir uma entrevista dada pelo artista para o programa Revista CBN,  da rádio CBN.

        (A entrevista na íntegra você pode ouvir aqui. )

Na qual ele fala detalhadamente sobre a concepção e realização do documentário Lixo Extraordinário, que leva como tema o trabalho do artista junto a um grupo de catadores de lixo do Jardim Gramacho, comunidade de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, e que  esse ano recebeu indicação ao Oscar na categoria de melhor documentário.


www.lixoextraordinario.net


Deixando de lado, a questão das artes plásticas em si, e focando mais especificamente na produção audiovisual, vale lembrar aqui, de alguns conceitos importantes enfatizados pelo especialista em documentários Bill Nichols no famigerado livro Introdução ao Documentário. (famigerado, porque nenhum aluno do curso de RTV da Anhembi Morumbi que tenha tido aula com o nosso querido professor Noel, escapou do Bill Nichols) 


A importância e o papel do Ator Social:

Bill Nichols - Introdução ao Documentário


A questão ética implícita no fator documentário:
Bill Nichols - Introdução ao Documentário




















Em resumo as questões principais e mais difíceis de lidar, quando o assunto é documentário são: 
O que fazer com o ator social? Como equilibrar de forma ética os interesses pessoais de quem filma com as necessidades de quem se expõe? 

Como documentar um fato, expor pessoas, de maneira tal que não prejudique a continuidade da vida daquele que se dispôs a tomar o papel de ator social, sendo que na maioria das vezes, esse indivíduo não tem consciência do impacto que tal exposição pode ter na própria vida. 

Como o cineasta deve se portar quando entra em contato com assuntos que podem prejudicar a vida do ator social, mas que agregariam material de interesse coletivo para o seu filme?

É de comum acordo entre os estudiosos e defensores do formato documentário, que essa linha de raciocínio ética seja adotada antes da realização do filme e para que haja sim uma denúncia de um fato, mas acima de tudo esse fato não se torne um simples entretenimento numa tela de cinema ou televisão.  Todo documentário que visar denunciar também deve, automaticamente conscientizar o expectador e funcionar como elemento transformador não só da vida, mas de tudo que constituí o entorno daquilo que foi exposto.


Lixo Extraordinário, é exemplo perfeito disso. De centenas de pessoas, somente sete aceitaram participar do projeto, e nenhuma das sete precisou voltar para o lixão.  Premiar um documentário, não é premiar somente um filme, mas sim a atitude  positiva de outrem com relação ao seu próximo e ao mundo em que vive.

Com certeza, Lixo Extraordinário é um trabalho bem feito e digno de um Oscar.




Stop Motion Chanel



Animação feita pela Nowness para a linha da maquiagens da Chanel, onde pincéis, batons, blushes, viram divertidos bonequinhos, robos, aranhas e até uma modelo.
A técnica usada foi o stop motion, mas o mais interessante no video é o conceito clean e criativo.
Em breve, vou convidar um profissional em animação para dar maiores detalhes sobre as técnicas  adotadas para a produção desse vídeo.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Primeiro Post - A Origem

A Tonga da Mironga do Kabuletê

Lhe é familiar?

Talvez essa expressão não faça parte de seu repertório cultural, mas numa pesquisa aqui mesmo pela internet  é possível rapidamente descobrir, que a expressão ficou conhecida por pertencer a uma canção composta pelo poeta Vinícios de Moraes em parceria com o músico Toquinho, mais ou menos em 1970, onde a dita cuja é citada por repetidas vezes.

Na versão dada por Toquinho para explicar toda a história; a expressão mais especificamente,  seria um xingamento em nagô (dialeto africano) e sem comprovação teria alguma coisa a ver com pelugem anal e/ou ofender a mãe de alguém.

Em uma outra versão, Vinicius de Moraes teria aprendido a expressão com uma namorada e se aproveitado para assim,  dar vasão à criatividade bem como à necessidade de extravasar a indignação contra o regime militar e a imposição da censura, tão somente tendo como mote: Uma frase sem sentido, mas com sentido poético dado pelo poema musicado*;

E é por causa, dessa segunda versão que tanto a música quanto a expressão me fascinam.  Pois em meio a um dos períodos políticos mais críticos vivido pelo nosso país,  os poetas sacaram da criatividade, força de vontade e senso de humor inovador para driblar a censura, continuar criando e enfrentar as limitações impostas por sua época.

Por isso, qualquer semelhança entre a expressão e o nome desse blog, não é mera coincidência.


É absolutamente do desejo desse blog, ir direto para a Tonga da Mironga do Kabuletê, se isso significar fazer o possível pela preservação da produção cultural de qualidade.

Se esse também é seu intuito, seja bem vindo!!!



                                                                                                                                              

                                                       * Anônimo